A luta pelo espaço da mulher na sociedade local

outubro 31, 2009 at 10:50 am (Uncategorized)

Ana Paula Bourscheid

Surgia em 1987 no município de São Carlos-SC o Movimento de Mulheres Agricultoras (MMA). Objetivando a garantia de direitos iguais, para homens e mulheres. Criado principalmente para provar a importância da mulher na sociedade.

Segundo Verônica Bourscheid uma das fundadoras do MMA no município, tudo começou nos clubes de mães. O clube era formado por mulheres que se reuniam para ajudar as escolas do interior. Conforme ela, “colaboramos com a escola limpando e fazendo tapetes, mas no nosso pensamento poderíamos fazer mais coisas pela comunidade. O que faltava era espaço.”

Em uma palestra com a irmã Leide Teibald surgiu a proposta de organizar o MMA, relata Verônica. “Gostei do que a irmã falou que a mulher deveria sair de casa e participar da política.” O único apoio que o movimento tinha era do pároco da paróquia. As primeiras reuniões do movimento aconteciam em uma sala de catequese cedida pelo padre.

Em um período de forte machismo o espaço da mulher não era reconhecido nem pelas próprias mulheres. Segundo Verônica, “quando começamos nossas lutas nem as próprias mulheres acreditavam em seu potencial. Começamos em 40, num município que a população de mulheres era superior a dos homens.”

A primeira luta do MMA foi contra o sindicato de agricultores que era conservador e só permitia sócios homens. Conforme ela, “o sindicato que deveria representar os agricultores só representava homens, e a gente que trabalhava de sol a sol não era reconhecida como agricultora.” O movimento conseguiu garantir seu espaço no sindicato através da sua participação nas assembléias.

Ressalta ela, ”quando fomos nós associar ao nosso novo sindicato o presidente da época estava furioso, falou que nós éramos um bando de baderneiras e nosso lugar era ao redor das panelas. Conseguimos derrubar a antiga diretoria e formamos uma nova com a nossa participação na chapa.”  

Em 1988 o MMA São Carlense junto com a comissão do movimento da regional de Chapecó foi a Florianópolis reivindicar seus direitos na nova constituição. A luta era em prol da aposentadoria dos agricultores, que na época era de homens aos 65 anos e as mulheres com 70. Conforme Verônica, “ isso deveria mudar, quando os idosos chegam a essa idade a maioria já está doente. Outros já faleceram.” Acampamos na frente do palácio do governo durante três dias. Passamos fome, sede e frio. E felizmente mais tarde foi aprovada a lei que regulamente aposentadoria para o homem aos 60 anos e a mulher com 55, declara ela.

Para Verônica, “ o lado ruim de participar do movimento era deixar a família em casa, afinal tinha três filhas pequenas. Quando eu saia de viagem deixava tudo pronto, adiantava os almoços, fazia mais pão. Elas estavam em casa com o pai, mesmo assim, meu coração ficava partido.” “Continuei no MMA até durante minha gravidez. Aos 45 anos decidi sair do movimento, estava cansada me faltava apoio, afinal tinha uma família que dependia de mim e uma filha de 4 anos que precisava de atenção,” disse ela.

“O que me deixa mais feliz é ver que colhemos bons frutos. Quando vejo uma mãe agricultora recebendo o auxilio maternidade ou alguém se aposentando por tempo de trabalho me orgulho de tudo que passamos,” ressalta ela. Questionada a respeito de uma suposta volta ao movimento ela diz, “talvez algum dia eu volte ao movimento, pelo meu pai já falecido que foi a pessoa que mais me deu apoio. Ele ficou triste quando eu parei, mas se Deus quiser um dia eu ainda volto.”

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